A vida consagrada, dom à igreja

A vida consagrada acontece desde os primórdios da Igreja. Desde os tempos dos Apóstolos, virgens e viúvas cristãs, tomaram a decisão, de viver no estado de virgindade ou de castidade perpétua “por causa do Reino dos Céus”. Entretanto, “a função de ajuda e apoio exercida pela vida consagrada à Igreja não se restringe aos tempos passados, mas continua a ser um dom precioso e necessário também no presente e para o futuro do Povo de Deus, porque pertence intimamente à sua vida, santidade e missão” (Vita Consecrata, 3).

Os consagrados são chamados a seguir a Cristo mais de perto, doando suas vidas a Deus, procurando alcançar a santidade através de uma vida de intimidade com Cristo e de serviço ao Reino Deus, anunciando e testemunhando o Evangelho a toda humanidade. Durante toda a história da Igreja, inúmeros frutos foram gerados pelos consagrados!

Também nos dias de hoje, necessitamos de consagrados santos! Consagrados que estejam dispostos a “perder a vida para ganhá-la” e a “renunciar-se a si mesmo e tomar a cruz a cada dia e seguir o Senhor” (Lc 9,16).  Intensifiquemos nossas orações para que o Senhor continue suscitando à Igreja, inúmeras vocações de pessoas dispostas a doar inteiramente através de uma consagração de vida  que podemos testemunhar através de 3 testemunhos de consagrados:
 


 

Vocação Religiosa, Dom gratuito de Deus

O chamado de Jesus é gratuito. Todo chamado implica em mudar de vida, crer na Boa Nova, deixar tudo e seguir o caminho de Jesus. O amor pela missão faz assumir o chamado sem medo de perder as seguranças baseadas nos bens, no conforto e nas convivências. Sentir o chamado do Senhor a vida religiosa, foi o começo de uma nova vida, ouvir a voz do coração, silenciar e escutar os apelos do Senhor no contexto em que se está inserido.

A consagração religiosa é uma eleição da ação divina. Se Ele chama, é porque ama, no entanto, encontrar-se com o Amor é algo que não apenas lhe transforma, mas que pode alterar todo o curso de sua vida. Posso dizer que não apenas me encontrei com Alguém, como me apaixonei por este Deus de uma maneira até então nunca experimentada. Os meus sonhos, que pareciam ser tão grandes, tornaram-se insignificantes quando comparados ao plano que Deus traçou para mim. Como disse nosso fundador Padre Zefirino Agostini: “Deus te ama, laça-te nos seus braços e deixa que Ele disponha da tua vida. Deus é o tudo e o tudo é Deus”.

Somos chamados a responder cada dia a nossa vocação reconhecendo que tudo é dom, tudo é graça, não é mérito da pessoa humana, é dom de amor que recebemos na gratuidade e bondade do Senhor. Mas ao mesmo tempo também é resposta da pessoa, pois, próprio por ser amor o Senhor não nos obriga, mas conta sempre com o nosso sim.  É este amor que me faz querer viver sempre mais a vida fraterna e a unidade com cada um dos irmãos e irmãs na missão.

Como Irmã Ursulina Filha de Maria Imaculada, posso dizer que vale a pena doar a vida ao serviço da Igreja. Pois, este doar a vida por amor aos irmãos, não tem preço, o que se recebe gratuitamente do SENHOR é muito maior, é infinito, o seu Amor é eterno por min e por cada criatura.

É muito bom poder sentir que: “Desde toda eternidade o Senhor me amou, me consagrou e enviou” (Is 43,13)

Ir. Mª Rosani Andréa Weber

 


“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi”... (Jo 15, 16)

Com estas palavras de Jesus dou início à conversa: vale destacar, mais uma vez, que a vocação é um chamado de Deus e requer uma resposta da pessoa, uma resposta livre. É Deus quem toma a iniciativa de ir-nos ao encontro a fim de contar com a nossa pequenez. Um Deus que quis precisar da pessoa humana para realização do seu projeto de amor. É como diz São Paulo na 1 carta aos Coríntios: “O que é fraco no mundo, Deus escolheu confundir os fortes”. (1 cor 1, 27).

Ser religiosa, para mim, é ser alguém que descobriu ser amada por Deus e, assim, quer amá-lo servindo os irmãos, como “coadjutora de Cristo”. Respondendo a esse Dom do chamado, buscar de cumprir minha missão na Igreja. Logo, isso se traduz numa vida de oração e abandono ao Senhor e no cuidado e atenção aos outros. Antes de fazer grandes coisas, é ser presença significativa, pelo jeito simples e alegre de ser. É se colocar a serviço talvez sem a pretensão de “salvar o mundo”, mas com aquele ardente desejo de, com gestos, palavras e atitudes, tocar os corações e, assim, revelar o amor de Deus que acolhe, cuida e anima. É viver o meu ser “Filha Amada”, testemunhando a profundidade desse amor que ultrapassa os limites da pessoa humana.

Neste tempo histórico de pandemia se torna ainda mais claro que o fundamental para a vida religiosa não é o fazer, mas sim o SER. Portanto, o que faz a diferença é, de fato, o nosso modo de ser presença iluminada, pessoa de Deus, que irradia Deus e comunica a esperança e a certeza de que Deus caminha conosco.

Ir. Maria de Jesus Varjão Neves

 


 

“Seja quem você é, e seja isso bem!”

Sou Pe. Aldino José Kiesel, Oblato de São Francisco de Sales, atualmente servindo na paróquia Santo Antônio, em Palmeira das Missões, RS. Sou natural de São Martinho, RS, o segundo filho de uma família de dez. Na escola primária, levei a sério o pedido do professor: fazer uma redação sobre o que eu queria ser na vida. Lembrando-me de um padre que eu conhecia, escrevi que queria ser padre. E já aos doze anos ingressei no seminário menor. Depois do ensino médio, saí do seminário por um ano. Depois retornei, e senti-me como um peixe que havia retornado à água. A vocação é uma descoberta: a descoberta de que Deus elegeu você para pertencer totalmente a Ele, no serviço do povo de Deus.

Tenho 39 anos de profissão religiosa, e 33 anos de padre. Sempre me havia imaginado trabalhando numa paróquia, mas somente agora, nos últimos dois anos, estou totalmente em serviço paroquial. Por mais de vinte anos trabalhei na formação de seminaristas: postulantes, noviços e escolásticos. Por doze anos – de 2006 a 2018 – residi em Roma, no serviço de coordenação da Congregação, que hoje está presente em dezessete países, em quatro continentes. Dizer SIM a Deus é embarcar numa barca, à qual não é você que dá o destino; mas você sabe que Deus vai levar você onde Ele precisa de você.

Estou feliz como Oblato e como padre. Sempre me atraiu a espiritualidade salesiana. “Seja quem você é, e seja isso bem!” Essa é uma das tantas frases sábias de nosso padroeiro, S. Francisco de Sales.

Precisamos ajudar os jovens hoje a encontrar um sentido para suas vidas. Há muitos jovens que estão cansados do passageiro, do superficial, de serem enganados por falsas promessas e acabarem em becos sem saída. Por isso, gosto muito do que o Papa Francisco diz aos jovens, e faço também minhas as palavras dele: “Jovem, aposte em grandes ideais, em coisas grandes. Não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; vão sempre além, verso as coisas grandes. Lancem a vida para grandes ideais!.. Tenham sempre seus olhos voltados ao futuro. Sejam renovação na cultura, na sociedade e na Igreja. É preciso coragem, humildade e escuta para ser expressão de renovação”.

Pe. Aldino José Kiesel

 


 

Sejamos  consagrados e consagradas, no coração da Igreja e do mundo, e não  cansar de testemunhar a beleza de seguir Cristo com grande alegria, oferecendo seus sacrifícios e energias, pois Cristo “não tira nada, Ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira.” (Bento XVI) Que Nossa Senhora, a perfeita modelo de seguimento a Jesus Cristo, nos guarde.

Organizado por ir. Ivone Hofer

 


VEJA TAMBÉM:

Queridos consagrados e consagradas do Brasil (Carta do Papa Francisco)

Consagrados e Consagradas: vocação pela causa do Reino (artigo do Pe. Ari dos Reis)

Pensamento do dia:

Deus jamais dá seus dons por acaso.

(Bv. Pe. Zefirino Agostini)