Ascensão do Senhor

Com alegria cristã contemplamos a figura de Jesus que hoje sobe ao Céu.
Veio à terra para vestir a nossa natureza humana;
Permaneceu conosco  para revelar as realidades do Pai;
Sofrendo e morrendo nos redimiu.
Agora retorna ao Pai para sempre, coroado de glória e de honra”

Gostaria de poder ilustrar-vos a imensa alegria por esta entrada do Filho no Céu que, em obediência ao Pai, nos redimiu. O homem, graças à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo voltou a ser amigo de Deus.
O Ressuscitado permaneceu entre nós por quarenta dias: Ele tinha que dar vida à Igreja e por essa razão Ele tinha prometido abundantemente o seu Espírito.
Chegou a hora de voltar ao Pai. Ele è acompanhado pelos seus discípulos no Monte das Oliveiras, lugar onde iniciou à sua dolorosa paixão, e a partir dali, ascende ao Céu, glorioso.

Ele diz aos seus Apóstolos que, fortalecidos pelo Espírito, vão dar-lhe testemunho lá, em Jerusalém, na Judeia, na Samaria e nos confins da Terra, prometendo de permanecer com eles até na consumação dos séculos.
Agora, para consolar os seus escolhidos, Ele dá-lhes a sua benção, depois se eleva da terra e sobe ao Céus.
Os sentimentos dos Apóstolos são de estupor, de maravilha, de alegria, mas também de tristeza: Ele se vai da sua presença.
Não conseguem deixar essa visão até que lhes dizem que não verão mais, sobre a terra, o seu Mestre.

Nós O seguimos com os olhos da fé.
Onde vós pensais que Ele ficará uma vez que retornou aos Céus?
S. Paulo nos diz que Ele se eleva acima de toda Dominação e Potestade, acima de qualquer nome que possa ser nomeado não só na linguagem humana, mas também naquela do Céu.

Quem poderá descrever o seu ingresso triunfal no Céu?
Certamente vem ao seu encontro, os espíritos angélicos, enviados por Deus para fazer-lhe cortejo, enquanto se cantam as palavras do Salmo: “Abri-vos, ó portas eternas, e entre o Rei da glória”.
Todos os justos esperam este dia e, iniciando por Abraão, cantam ao Redentor que os libertou. Estão na alegria Adão e Eva porque Jesus Cristo libertou o mundo do pecado que eles cometeram.

O Redentor se apresenta ao Pai.
Aqui eu me sinto perdido somente em pensar ao momento feliz deste encontro!
Homem–Dio tem ainda os pés, as mãos, as costelas feridas, onde foi perfurado e mantido na Cruz.

Ainda alí revela os sinais da sua obediência ao Pai, da sua humilhação, do seu enorme amor à humanidade.
É o Pai que com grande alegria o abraça, o faz sentar ao Seu lado na glória com pleno poder acima de todos os outros seres que estão no Céu.
O Pai o constitui juiz dos vivos e dos mortos, árbitro sobre toda criatura, mestre da vida e da morte.

A nossa miserável natureza, em Cristo, é elevada à glória do Pai.
É muito grande a altura à qual nos elevou a potência de Cristo!
Podemos sim, bendizer a culpa de Adão que nos fez assim grandes por obra de Jesus Cristo.
Mas ainda mais devemos bendizer a divina misericórdia que se serviu da nossa miséria incomparável para nos elevar a tal dignidade.

O fruto deste mistério deve ser para nós a esperança de que também nós cheguemos onde Ele está, porque Ele é a nossa cabeça e nós somos seus membros.
Perante o Pai, as suas chagas, abertas, pedem a salvação dos homens e como Ele se sacrificou sobre o altar da Cruz, Jesus agora continua a sacrificar-se por nós, Cordeiro imolado, diante de Deus Pai.
O Pai, olhando para Ele, não pode de deixar de nos perdoar os pecados, porque Jesus Cristo, como escreve S. João, é um advogado justo que intercede por nós.

Este advogado nos ama. Somos a sua conquista, ossos dos seus ossos, carne da sua carne.
Se Deus ama Ele, como não poderia amar-nos?
Detestamos os pecados cometidos, os lavamos com as nossas lágrimas, fazemos penitência sincera pelo mal feito [...] Jesus Cristo intercede sempre por nós.
Recordamo-nos, porém, que se queremos entrar na sua glória devemos trilhar o seu mesmo caminho, seguindo-O, por onde Ele nos levar, vivendo a sua mesma paciência de Cordeiro manso.

Se Jesus Cristo mereceu tanta glória é porque aceitou de padecer tanto.
Ele mesmo dá testemunho falando aos discípulos de Emaús, escandalizados porque ao invés da glória teriam que contemplar a dor do Redentor: “Não era necessário que Cristo sofresse para depois entrar na glória”.
Na carta ao Hebreus lemos: “Temos visto Cristo na sua paixão coroada de honra e de glória” (Heb 2,9).
Se Cristo sofreu, ninguém de nós se pode retrair na dor, do carregar, com Cristo, a sua cruz: somente assim teremos parte da sua glória.
Sofremos, portanto, com Jesus, morremos com Ele, para viver no grande tesouro que é o seu Reino eterno.

Seguimo-O ressuscitado.
Jesus Cristo é a lei da nossa ressurreição espiritual. Ele está morto, mas agora não morre mais.
Propomo-nos agora de viver na graça, de praticar virtudes santas e, por isso rezemos com fervor e sempre, façamos obras de caridade a Deus e ao próximo e, por último, o nosso olhar seja sempre fixo ao céu onde se encontra Cristo, sentado a direita do Pai.

 

Pensamento do dia:

Eu sou a Mãe do Amor! Grava-me como selo no teu coração.

(Bv. Pe. Zefirino Agostini)